Onde a IA entra no organograma, segundo um ensaio da OpenAI
Dois pesquisadores da OpenAI mostram três lugares para a IA na empresa: abaixo, ao lado e entre as pessoas. O que isso muda e o que preparar agora.

- No ensaio "The future of the firm", publicado pela OpenAI em 28 de outubro de 2026, dois pesquisadores da empresa descrevem três lugares onde a IA entra no organograma: abaixo das pessoas, ao lado delas e entre elas.
- A tese central é que a IA capaz de assumir funções maiores é mais difícil de construir, mas mais fácil de a empresa adotar.
- Os autores lembram que a empresa aprende uma tecnologia, mas um bom funcionário aprende a empresa: quanto mais a IA absorver o contexto do negócio, mais útil ela fica.
- Para eles, parte da gestão pode ser automatizada antes do trabalho que ela supervisiona.
A OpenAI publicou em 28 de outubro o ensaio "The future of the firm" (o futuro da empresa), de Hemanth Asirvatham e Elliott Mokski. A pergunta é simples: quando a IA entra numa empresa, onde ela fica no organograma? A resposta deles tem três lugares, e um deles vai contra o que quase todo mundo imagina.
O texto faz parte de uma série em que a OpenAI publica vozes independentes sobre a economia que vem aí. Os próprios autores avisam que ele traz a opinião deles, não a da empresa.
IA abaixo das pessoas: todo mundo vira gestor
No primeiro cenário, ninguém muda de cadeira. Cada pessoa ganha, embaixo dela, uma equipe de agentes, assistentes de IA que executam uma tarefa do começo ao fim. No começo eles são como estagiários que precisam de supervisão. Com o tempo, assumem mais tarefas e passam a trabalhar entre si.
O exemplo do ensaio é Jace, um contador. Ele continua cuidando da contabilidade, mas não fica mais clicando em planilha: os agentes fazem isso. O trabalho dele passa a ser parecido com o que o chefe fazia alguns anos antes. A equipe não encolheu, porque o resto da empresa também ficou mais produtivo e pede mais contabilidade do que antes.
Os autores chamam isso de automatizar "o nosso eu do passado". A IA assume o que a pessoa fazia, e a pessoa sobe um degrau.
IA ao lado das pessoas: uma função inteira assumida
No segundo cenário, a IA entra como colega de time e responde ao mesmo gestor que as pessoas. A diferença é que quem adota não é quem faz o trabalho, e sim o gestor.
O exemplo é Sheila, diretora de uma fábrica de móveis, que nunca fez uma campanha de anúncios. Ela entrega a uma equipe de marketing de IA um orçamento e um sofá novo para vender. Os agentes dividem o trabalho entre si, conversam com os vendedores, checam com a fábrica o que dá para entregar e testam estilos de imagem. Na segunda-feira, ela recebe a campanha pronta para aprovar.

Aqui está a ideia central do ensaio. A IA sobe uma escada: primeiro automatiza uma tarefa, depois o trabalho de uma pessoa, depois o de uma equipe e, por fim, o de uma empresa. Cada degrau é mais difícil de construir. Mas, para a empresa, cada degrau é mais fácil de adotar. Uma ferramenta que faz só uma tarefa depende de todo mundo aprender a usar. Uma equipe de IA que entrega a função inteira, a diretora adota com uma decisão.
A empresa aprende a tecnologia; o trabalho aprende a empresa
É a parte do ensaio que eu considero mais importante. Toda tecnologia nova obriga a empresa a se adaptar a ela: a planilha não se instalou sozinha no departamento financeiro, foi o departamento que se reorganizou em volta dela.
Com gente é o contrário. Um bom estagiário ou um bom time descobre como ser útil para você. Faz perguntas, absorve o seu contexto, percebe o que você precisa e até avisa o que você não sabia que não sabia. Para os autores, quanto mais a IA funcionar assim, menos a empresa precisa aprender a usá-la e mais ela se adapta à empresa.
A IA só é útil de verdade quando conhece a empresa onde trabalha.
Na prática, isso quer dizer que a IA precisa encontrar o contexto do negócio: processos, clientes, regras, histórico. Sem isso, ela não entra em nenhum dos três lugares do organograma.
IA entre as pessoas: a gestão pode ser automatizada antes
O terceiro cenário é o menos intuitivo. A IA fica acima de algumas pessoas e abaixo de outras. O exemplo é Asha, presidente de uma empresa, que recebe um aviso da sua consultoria de IA: o comercial prometeu ao cliente uma função que a engenharia não está construindo. Ninguém escreveu relatório nem percebeu a falha; a IA achou o problema nas conversas do dia a dia. Ela também nota que uma engenheira já tinha começado a resolver a questão sem ninguém pedir, e Asha a coloca para liderar o projeto.
Daí vem a frase mais provocadora do ensaio: a escada pode queimar de cima para baixo. A gente costuma achar que a IA começa pelas tarefas mais simples e chega à gestão por último. Mas boa parte do trabalho de um gestor acontece no computador e na cabeça: ler, juntar informação, ponderar e decidir. Quem vai até a copiadora é o estagiário, não o chefe. Por isso, segundo os autores, algumas funções de gestão podem ser automatizadas antes do trabalho que elas supervisionam.
O que muda nas empresas com a IA, segundo o ensaio da OpenAI
Os autores fecham com quatro perguntas em aberto. Três delas mexem direto com quem tem empresa:
- Menos burocracia. Muita etapa de aprovação existe porque construir era caro e só havia uma chance. Com a IA barateando o protótipo, a empresa pode testar mais e planejar menos.
- Um primeiro emprego diferente. O degrau mais baixo deixa de ser ocupado por pessoas. Quem entra já coordena agentes, com mais espaço para mostrar ideias e menos aprendizado vindo do trabalho repetitivo.
- O julgamento como diferencial. Se a IA dá o mesmo bom conselho para todo mundo, o que separa as pessoas é a qualidade das decisões. Quanto maior o trabalho que cada um coordena, mais essa diferença aparece.
O que fazer na sua empresa para a IA entrar no organograma
Nenhum dos três cenários acontece sem contexto. A IA que fica abaixo das pessoas precisa saber como o trabalho é feito. A que fica ao lado precisa conhecer o produto, o cliente e as regras. A que fica entre as pessoas precisa ter acesso às conversas e aos sistemas para enxergar o que está acontecendo.
Três coisas preparam a empresa para qualquer um deles:
- A informação num lugar só. Processos, clientes, contratos e decisões registrados, não espalhados em conversas e na cabeça das pessoas.
- Os sistemas conectados. CRM, e-mail, financeiro e atendimento ligados, com dados que batem entre um e outro.
- Regras claras do que a IA pode fazer sozinha. O que ela resolve, o que precisa do seu sim e o que nunca faz.
Não falta tecnologia. Falta contexto. É esse o trabalho da Elev na IA da empresa e na operação interna com IA: organizar a informação, conectar os sistemas e definir as regras de uso para a IA trabalhar com o contexto do seu negócio. Se você quer entender onde a IA entra primeiro na sua operação, é por aqui.
Fontes
- The future of the firm, Hemanth Asirvatham e Elliott Mokski, OpenAI, 28 de outubro de 2026. Os gráficos deste texto vêm do ensaio, com tradução da Elev.
Perguntas frequentes
O que diz o ensaio "The future of the firm", da OpenAI?
Escrito por Hemanth Asirvatham e Elliott Mokski e publicado pela OpenAI em 28 de outubro de 2026, ele descreve três jeitos de a IA entrar na empresa (abaixo, ao lado e entre as pessoas) e discute o que isso muda em burocracia, autonomia, tamanho das empresas e salários. É a opinião dos autores, não uma posição oficial da OpenAI.
A IA vai substituir os gestores?
O ensaio não diz isso. Ele levanta a hipótese de que algumas funções de gestão (ler, juntar informação, acompanhar o que cada time faz e avisar a liderança) podem ser automatizadas antes do trabalho operacional. A decisão continua com as pessoas.
Por onde uma empresa deve começar a usar IA?
Segundo os autores, a adoção tende a começar por quem faz o trabalho, porque é quem sabe como ele é feito. Na prática, isso funciona melhor quando a informação da empresa está organizada e há regras claras do que a IA pode fazer sozinha.
O que muda para quem está começando a carreira?
Para os autores, o degrau mais baixo da empresa deixa de ser ocupado por pessoas. Quem entra já coordena agentes de IA e precisa desenvolver julgamento, gosto e visão mais cedo. Eles reconhecem que se perde parte do aprendizado que vinha do trabalho repetitivo.
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Publicado em 29 de outubro de 2026